Será que paramos verdadeiramente para olhar as nossas relações? Não para resolver, não para discutir, apenas para as observar?
Será que o tempo nos foge e não nos faz perder essa parte tão importante, que nos permite crescer? e sucumbimos a acumular dias e situações, a adiar tudo em nome da rotina, das responsabilidades, da vida que acontece?
Qual o impacto de deixar os dias passar, de deixar as relações correr? A conversa que fica por ter porque “não é o momento certo”, o cansaço que se instala depois dos filhos e muda silenciosamente as prioridades, a forma como cada um de nós aprendeu a ser pai e mãe e como isso colide com a história do outro.
Crescemos a acreditar que se houver amor tudo se resolve. Descuramos o importante que é crescer com o outro, o essencial que é, aquilo que deveria ser, o dever de nos sentarmos e olharmos para nós de forma construtiva e não só de forma reactiva. O amor só por si não ensina a comunicar, não prepara para as transformações profundas que as mudanças na vida nos trazem, não dá ferramentas para que se alinhem expectativas, limites e responsabilidades quando a família cresce.
Uma relação saudável não vive apenas da ligação emocional, essa que só por si não sobrevive se não for trabalhada. Uma relação saudável vive de comunicação, de adaptação às transições, da capacidade de funcionar como equipa e de saber integrar o mundo à volta sem perder o “nós”.
Temos de parar, de uma vez por todas, de acreditar que a relação não se ressente, que o casal não é impactado quando não é olhado como deve ser. Temos parar acima de tudo, de o fazer tarde demais.
Talvez a pergunta urgente não seja “o que está de errado connosco?” Mas sim “que parte da nossa relação está a precisar de mais atenção?”. Mas isto.. só é possível se a olharmos e nos permitirmos de forma consciente a mergulhar na dureza das mudanças e na imensidão de alternativas que se podem construir, se quisermos crescer juntos. E a verdade.. essa.. é que o devíamos fazer agora.







