Há lugar para o “não” na parentalidade? 

Há uns dias, em equipa comentamos um vídeo sobre o uso do “não” na parentalidade. Foi curioso perceber como o mesmo vídeo gerou opiniões tão diferentes num grupo de psicólogas que estuda parentalidade.

E isso fez-me pensar: o que acontece na cabeça de pais com menos informação, quando recebem diariamente mensagens tão contraditórias sobre educar os filhos?

Entre tantas perspetivas diferentes, houve uma coisa em que estávamos todas de acordo: parentalidade consciente não é ausência de “nãos”, nem ausência de limites.

O “não” pode ser um guia. Pode proteger uma criança de um risco. Pode ajudá-la a encontrar um limite que ela ainda não consegue definir sozinha, simplesmente porque ainda não tem maturidade para isso.

O problema não está no “não”. Está no seu uso sem critério. No “não” automático, imposto sem reflexão, sem explicação, sem coerência.

Na maioria das vezes, o “não” deve estar associado a limites claros — e para que esses limites façam sentido para a criança, primeiro precisam de fazer sentido para nós.

Talvez o exercício mais importante seja este:

-Porque quero dizer que não?

-Que limite sinto que está a ser ultrapassado?

-Porque não posso dizer que sim?

-Qual seria o risco desse sim?

Educar também passa por nos questionarmos antes de respondermos automaticamente. Porque um limite consciente é muito diferente de um limite imposto apenas por hábito ou autoridade.

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Ana Rita Cruz

Psicóloga Clínica

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