Na adolescência, a necessidade de privacidade aumenta.
E isso pode ser difícil para os pais.
De repente, aquele filho que contava tudo começa a guardar algumas coisas para si. Quer mais tempo sozinho, passa mais tempo com os amigos, fecha a porta do quarto e nem sempre tem vontade de explicar o que está a sentir.
É natural que surja a dúvida:
“Devo respeitar o espaço dele ou devo preocupar-me?”
A verdade é que respeitar a privacidade e estar atento não são coisas opostas.
O adolescente precisa de espaço para se conhecer, experimentar, construir a sua identidade e desenvolver autonomia.
Mas precisa também de saber que existe um adulto disponível para quando esse espaço deixar de ser suficiente.
Por isso, mais do que tentar saber tudo, é importante construir uma relação em que o adolescente sinta que pode contar.
Sem julgamentos imediatos.
Sem transformar cada conversa num interrogatório.
Sem fazer com que sinta que aquilo que vive é um peso para os outros.
Ao mesmo tempo, mudanças significativas no comportamento, isolamento acentuado, sofrimento emocional ou outros sinais que preocupem os pais merecem atenção.
E pedir ajuda não significa que os pais falharam.
Por vezes, significa apenas reconhecer que esta fase também é desafiante para quem acompanha.
Um espaço de acompanhamento psicológico pode ser importante para o adolescente ter um lugar seu, onde possa falar ao seu ritmo, compreender o que está a sentir e desenvolver ferramentas para lidar com esta fase.
E pode também ser um espaço para os pais encontrarem orientação.
Porque acompanhar um adolescente não é ter todas as respostas.
É continuar presente enquanto ele aprende a encontrar as suas.




