Até onde deve ir a privacidade de um adolescente? Privacidade ou segredo?

Na adolescência, a necessidade de privacidade aumenta.

E isso pode ser difícil para os pais.

De repente, aquele filho que contava tudo começa a guardar algumas coisas para si. Quer mais tempo sozinho, passa mais tempo com os amigos, fecha a porta do quarto e nem sempre tem vontade de explicar o que está a sentir.

É natural que surja a dúvida:

“Devo respeitar o espaço dele ou devo preocupar-me?”

A verdade é que respeitar a privacidade e estar atento não são coisas opostas.

O adolescente precisa de espaço para se conhecer, experimentar, construir a sua identidade e desenvolver autonomia.

Mas precisa também de saber que existe um adulto disponível para quando esse espaço deixar de ser suficiente.

Por isso, mais do que tentar saber tudo, é importante construir uma relação em que o adolescente sinta que pode contar.

Sem julgamentos imediatos.

Sem transformar cada conversa num interrogatório.

Sem fazer com que sinta que aquilo que vive é um peso para os outros.

Ao mesmo tempo, mudanças significativas no comportamento, isolamento acentuado, sofrimento emocional ou outros sinais que preocupem os pais merecem atenção.

E pedir ajuda não significa que os pais falharam.

Por vezes, significa apenas reconhecer que esta fase também é desafiante para quem acompanha.

Um espaço de acompanhamento psicológico pode ser importante para o adolescente ter um lugar seu, onde possa falar ao seu ritmo, compreender o que está a sentir e desenvolver ferramentas para lidar com esta fase.

E pode também ser um espaço para os pais encontrarem orientação.

Porque acompanhar um adolescente não é ter todas as respostas.

É continuar presente enquanto ele aprende a encontrar as suas.

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Diana Cerqueira

Psicóloga Clínica

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