Negligência

Hoje falo-vos de negligência infantil, mais especificamente da negligência psicológica.  A negligência é uma forma de violência, por parte dos pais/cuidadores que assenta na incapacidade de assegurar a satisfação das necessidades básicas das crianças, em prol do seu desenvolvimento saudável.  Estudos revelam que a negligência é tão adversa quanto a violência, no que respeita às necessidades físicas e emocionais da criança. Desta forma, sinto que cada vez mais se descura dos atos de negligência psicológica contra crianças, considerando-se que a violência física se sobrepõe. O que não é de verdade. Ambas são graves e com consequências nefastas no bem-estar emocional e psicológico da criança. 

 A negligência psicológica ocorre quando existe falta de resposta emocional, afeto e acolhimento, fomentando sentimentos de rejeição na criança. A longo-prazo a criança poderá apresentar dificuldades psiquiátricas e psicológicas, derivadas da negligência afetiva e emocional que experienciou por parte dos seus pais/cuidadores. Este tipo de negligência é muito vezes “oculta” e difícil de identificar pelos adultos que rodeiam a criança ou mesmo profissionais.  

Por isso, é essencial que todos – pais, familiares, educadores e profissionais — estejamos atentos a sinais de afastamento emocional, tristeza persistente ou falta de resposta afetiva nas crianças. Reconhecer a negligência psicológica é o primeiro passo para a prevenir.   

É urgente que olhemos para as crianças com mais atenção e sensibilidade. Nem sempre o sofrimento é visível, nem sempre se traduz em palavras ou feridas no corpo. A ausência de afeto, de presença e de escuta pode deixar marcas profundas, silenciosas e duradouras. O silêncio e a normalização deste tipo de violência apenas perpetuam o sofrimento infantil.  A ausência de afeto, de presença e de escuta pode deixar marcas profundas, silenciosas e duradouras. Cada olhar ignorado, cada gesto de indiferença, é sentido por uma criança que apenas deseja ser amada e acolhida.

 Que possamos ser adultos atentos, disponíveis e conscientes do impacto que temos nas vidas das crianças que nos rodeiam. Porque o amor, a presença e o cuidado não são opcionais ou um privilégio – são uma necessidade vital. 

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Ana Cláudia Mirrado

Psicóloga Educacional

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