O papel do adulto

As birras são parte normal do desenvolvimento infantil, permitindo a descoberta do  sentido do “eu”, experienciando um conjunto de emoções. 

Estas “birras” podem surgir quando a criança não consegue expressar as suas vontades/necessidades, fica frustrada, impaciente ou é contrariada. Este momento, de grande preocupação para os adultos, é acompanhado de choro e gritos, e comportamentos como: bater, morder ou atirar-se para o chão. 

Tranquilize o seu coração, estes comportamentos são adaptativos e esperados. 

Importa ter consciência de que também os adultos passam por períodos de explosão emocional, contudo conseguimos (ou deveríamos conseguir) expressar os nossos sentimentos e a situação que de alguma forma nos ativou emocionalmente, ao contrário dos mais pequenos que necessitam da nossa ajuda. 

Convidamo-lo a olhar para a birra de forma empática e compreensiva e não como o resultado do temperamento difícil da criança ou incapacidade do adulto em lidar com determinado comportamento. Estes são dois princípios (empatia e compreensão) importantes da sua interação com a criança, nesta situação. 

Possivelmente poderá questionar-se sobre o seu papel nestes momentos. 

Acolher, validar, compreender e incentivar são respostas fundamentais de co-regulação, que o adulto pode oferecer nos momentos de alguma tensão emocional, tornando o seu papel de cuidador dinâmico e ativo. 

Acolher o momento da birra irá fomentar o sentimento de segurança, permitindo a criança compreender se pode ou não confiar no cuidador que está junto a si. 

Validar as emoções da criança, vai ajudá-la a dar voz ao que sente, e naturalmente promover a literacia emocional.

Incentivar as crianças a lidar com os seus sentimentos e emoções. 

Compreender que a criança é um ser em desenvolvimento e ajudar a criança a compreender que aquele momento de frustração é uma experiência que faz parte do seu crescimento saudável. 

É importante que o adulto fomente um ambiente com as oportunidades e condições necessárias para que a criança possa explorar livremente as suas emoções e consequentemente aprender a lidar com elas. 

Enquanto adultos, e pais, temos a responsabilidade de impactar a vida dos nossos filhos, a forma como se relacionam, se veem e se escutam, para sempre. Por uma parentalidade imperfeita mas compreensiva, empática, carinhosa e atenta às necessidades específicas da criança. 

Afinal, a D.Birra poderá ter tanto de assustador, como de poderoso!

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Ana Cláudia Mirrado

Psicóloga Educacional

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