Doença Celíaca: muito para além do intestino

Maio é o mês internacional de sensibilização para a Doença Celíaca e sinto (por me ser um tema familiar), que talvez seja importante falar desta condição genética que por diversas vezes abraça de uma forma muito intensa a parte emocional.

Descobrir uma doença celíaca não é apenas mudar a alimentação, muitas vezes torna-se um processo emocional profundo. Enquanto que para muitas pessoas, o diagnóstico traz finalmente uma explicação para anos de bastante desconforto físico, cansaço, ansiedade e até mesmo sintomas “invisíveis”, o que conduz inevitavelmente a um alivio imediato, para outros poderá trazer emoções como medo, tristeza, revolta e até mesmo uma sensação de perda.

Estes sentimentos variam obviamente na idade do diagnóstico, provavelmente uma criança poderá encarar esta mudança de estilo de vida de uma forma mais serena e um adolescente ou ate mesmo um adulto, poderá vê-la de uma forma mais intensa e zangada, por ter que fazer o “luto” de um estilo de vida que já estava implementado durante muitos anos.

Assim, é importante pedir ajuda…aceitar que algo tao simples como comer pode passar a ser algo mais complexo: começar a ter que ler rotulos diariamente para ver os ingredientes dos produtos, saber que em termos sociais ficamos mais limitados o que inevitavelmente nos faz sentir “diferentes” e o perigo que este momento poderá trazer consigo levando a pessoa diagnosticada a um isolamento social.
Esta doença não é uma moda alimentar, é uma condição auto imune séria e que exige cuidado, compreensão e acima de tudo validação.

Empatia faz a diferenca, informação faz a diferença…é possível viver com imensa qualidade de vida após este diagnostico, apenas temos que fazer as pazes com o antes e abraçar o agora, procurar exemplos e pessoas que estao a viver o mesmo, ser seguido por uma equipa multidisciplinar que nos ajuda a ficar seguros e principalmente ficar sereno, pois uma vida sem gluten não é uma escolha, é apenas uma nova forma de viver (por sinal, com mais qualidade e sem sofrimento).

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Ariana Pereira

Psicóloga Clínica

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