“Dê-me uma ferramenta para lidar com isto” 

É um pedido que surge muitas vezes em consulta. 

Como lidar com a ansiedade? 
Como deixar de pensar naquela pessoa? 
Como não me irritar? 
Como deixar de sentir isto? 
O que é que eu faço quando isto acontece? 

Vivemos numa época particularmente orientada para soluções. E, com a inteligência artificial, tornou-se ainda mais fácil pedir estratégias, exercícios, técnicas e métodos para praticamente tudo. 

E algumas dessas ferramentas podem, de facto, ajudar. 

Podemos aprender a respirar de determinada forma, a organizar os pensamentos, a estabelecer limites, a comunicar melhor ou a encontrar estratégias para atravessar um momento difícil. 

Mas há uma pergunta anterior que, por vezes, é mais importante: 

O que é que está realmente a acontecer dentro de mim? 

Porque eu posso olhar para o espelho e dizer “sou bonito”. 
Posso dizer “hoje vou adorar o meu dia de trabalho”. 
Posso repetir “está tudo bem, eu consigo lidar com isto”. 

Mas se aquilo que sinto for precisamente o contrário, essas palavras podem tornar-se apenas mais uma coisa que tenho de fazer para parecer que estou bem. 

O problema nem sempre é não sabermos o que fazer. 

Às vezes, sabemos. 
Só não conseguimos fazê-lo. 

E outras vezes, talvez nem sequer seja disso que precisamos. 

Porque o corpo também fala. A ansiedade, a insónia, a irritabilidade, o cansaço, as dores, as alterações físicas, na pele… podem ser formas através das quais aquilo que ainda não conseguimos pensar ou dizer encontra outra maneira de se expressar. 

É aqui que, para mim, entra a psicologia. 

Não apenas como um lugar onde aprendemos ferramentas para lidar melhor com a vida, mas como um espaço onde podemos parar e perguntar: 

Porque é que isto me acontece? 
O que é que esta situação desperta em mim? 
Porque é que reajo desta forma? 
O que estou a tentar evitar sentir? 
O que é que preciso e não estou a conseguir reconhecer? 
Que lugar ocupa esta relação, este medo ou esta angústia na minha história? 

Uma ferramenta pode ajudar-nos a atravessar uma situação. 

Mas compreender o nosso mundo interno pode ajudar-nos a perceber porque é que determinadas situações nos atravessam desta maneira. 

E talvez seja essa uma das diferenças entre procurar simplesmente uma solução e fazer psicoterapia. 

Nem sempre precisamos de aprender a dizer “está tudo bem”. 

Às vezes, precisamos de ter um espaço onde possamos finalmente perceber e dizer: 

“Na verdade, não está.” 

E começar daí. 

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Tomás Lopes

Psicólogo Clínico

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